quinta-feira, 17 de abril de 2014

Sempre me bate esse embrulho no coração quando chego na janela do meu quarto em Caxias...

sábado, 12 de abril de 2014

eu precisava de uma casa, então me mudei.

nela faltavam plantas
e comprei duas
no supermercado.

o antúrio morreu,
a jibóia, não.
mas ainda faltavam plantas.

arrumei um lírio,
grande e da paz.
pus num vaso,
grande e de cerâmica,
seguindo prescrições
da senhorinha
da floricultura.

a senhorinha
me explicou ainda:
o antúrio morreu
porque tinha
a raiz
envenenada.

não fique triste
com essas plantas
de supermercado,
ela disse.
esses antúrios
são todos lindos,
mas mortos
por dentro.

isso confortou meu coração.

num fim de semana
o lírio murchou
e dei um berro
quando vi.
o que eu teria feito?
um dia apenas
um dia a menos
de água
teria podido
causar esse estrago?

não.
amigos disseram:
"plantas... você sabe.
são sensíveis
a, você entende...
energias.
ruins."

isso me assustou.
não dormi naquele dia
e molhei três vezes
o lírio murcho
e também a jibóia,
por precaução.

de manhã, minha mãe ao telefone
me disse:
"o que falta é uma
comigo-ninguém-pode,
espada de são jorge
ou arruda da síria."

eu entendi o que ela queria dizer.

e ela continuou:
"mas não tente a arruda.
é sensível.
vai morrer."

à tarde, consternada,
numa nova floricultura
comprei uma muda
de arruda da síria.
o homem da loja
me fez prescrições
de sol
de água
de terra.

segui todas
como num ritual seríssimo
em que se mexe
com coisas desconhecidas e perigosas.

a arruda é um enigma:
permanece no sol,
sem viço algum,
há três semanas.
sem melhorar
nem piorar,
mas crescendo.

está lá na frente, na varanda.
ninguém vê
o que ela tem passado
guardando minha porta.
nem mesmo a jibóia
tem a sensibilidade,
embora cresça
mais do que nunca.
só eu
e o lírio,
que finalmente
florecemos.

Então vamo querer estudar nesse caralho, né?
- Não, eu não vou pedir nada aos seus santos. Não quero nada com estratégias escusas, nem vou te encurralar numa encruzilhada. Não sei porque vivo com essas ilusões e certezas. Da última vez que tive um encantamento tal, tudo acabou tão mal. Ainda me recupero, na verdade. Que triste é gostar sem ser gostado...

E tudo tem um desfecho tão baixo, tão indigno, tão mesquinho. Não sei dizer porque. Parece que toda a grandiosidade que experimento nunca é compartilhada. Devo ser de fato uma pessoa desinteressante. Por que não atraio o encanto de quem me encanta? Nunca. O que se precisa fazer nessa vida pra ser correspondido? Que grande merda, eu sei o que se precisa fazer. Primeiramente, é preciso ter o charme que não tenho. Depois o carisma e a autoconfiança. Onde é que se arranja tais coisas? Eu não devo ter nascido pra dar certo.

Por que todo mundo é tão mais importante pra mim do que sou pra eles? Devo ter nascido com um defeito sério, tão sério, que me maltrata o coração a cada passo. E é um abismo, melhor não se deixar aproximar porque a vertigem vai te engolir e aí não tem volta.

Como estou jogada nessa vida. Tento recolher meus cacos, mas eles vão sempre caindo pelo caminho, vou sempre perdendo um pedacinho ou outro. Isso cansa. Esse papo todo de que é preciso estar bem sozinha pra estar bem com alguém... que preguiça. Fodam-se todas as teorias sobre felicidade, nenhuma delas preenche meu buraco no peito!

A vida acontecendo e eu aqui, observando os outros, em brasa, em faíscas, tão fantásticos, enquanto me apago. Se eu parasse de espiar, se eu pulasse no mundo e brilhasse e faiscasse também, talvez... não. Se eu pulo no mundo, pulo no vazio. De alguma forma cultivei uma estranha solidão que se interpõe entre mim e qualquer tentativa de me aproximar dos outros, da vida. É sempre abrupto, sem jeito, sem noção.

Todo mundo "curtindo o sabadão" ou "fazendo amor e não jogo", ou sei lá, fazendo qualquer merda que é melhor que não conseguir estudar nem sossegar o coração.

Por algum motivo eu acho que se chorar bastante, alguém vai sentir pena e me botar no colo. Isso não é verdade. Não há colo nessa vida pra mim. Não adianta chorar. O óbvio seria, vamos em frente, então, cavucar algo dessa bosta toda, né?

Mas eu devo ser mais baixa que o mais baixo de todos pra estar passando por essa enquanto ele comemora a felicidade de estar apaixonado e ser correspondido.

Que que eu faço, então, pra encontrar conforto? Que que eu faço pra parar de viver assim tão de coração partido? Estou cansada... E não adianta repetir isso, Deus não vai ouvir, Deus não te ouve e nem você a ele. Se Deus me ouvisse, me quebrava esse galho, que não faz mal a ninguém! E se Deus não me ouve, se os caras não se importam, se os amigos estão distantes, sei que devo encontrar a força pra me cuidar em mim. Eu sei disso. Eu sei que essa é a resposta, mas de alguma forma eu simplesmente não quero. Não quero o trabalho disso, não quero me expor, não quero me responsabilizar. E, apesar disso, é o que preciso aprender a fazer. Me expor, me sustentar, me garantir. E eu gosto de culpar minha criação, que não me ensinou nada sobre isso, porque minha mãe não sabe nada sobre isso e porque meu pai sempre tomou pra si a responsabilidade de fazer tudo isso. Mas há quanto tempo eu já saí disso? Sequer moro com eles. Há quantos anos eu vejo que isso é o que preciso fazer e me nego?

Porra, eu não sou mais adolescente. Nem quero ser. Caralhos. Também não quero ser adulta, muito verdade. E me dói pensar que já tenho 24 anos e pouco avancei, pouco fiz por mim, passei a vida vivendo em função dos outros. Acho que tá na hora de viver em função de mim, eu to tentando, mas to tentando errado ainda, talvez.

Vou comprar uma bicicleta ou começar a correr, não sei! Que merda. Uma bicicleta, talvez, afinal casar não deu certo.