segunda-feira, 31 de março de 2014

Mas que talento pra me sentir um lixo, não?

Voltas na beira do precipício

Ok, já deu a hora de me sentir miserável por não ficar bem sozinha. E miserável por estar sozinha.

A última vez que me amaram, com respeito, de verdade, foi em 2010.

Caminho tá sendo longo, e não vai encurtar se eu espernear.

Caralho.

Po Deus, já não deu a hora de dar uma força? Ajuda aí. Se não for nisso, que seja naquilo.

Eu sei que não deveria pensar em me envolver com ninguém deprimida e ainda falta algumas semanas pra de fato melhorar. O que não quer dizer que quando melhorar vai ter alguém me esperando.

Enfim.

Porra de solidão incurável. Porra de vazio que dói. Porra de auto desvalorização. Porra de vida.

Ninguém percebe, ninguém ajuda. Ninguém entende e ninguém tá suficientemente próximo pra isso. Como não vou querer me envolver e me abrir? Parece agora que é o jeito de dar sentido às coisas. Eu sei o quanto isso é uma furada, mas é o que tá aqui dentro.

Porra Deus, ajuda aqui! Tá foda, to muito cansada.

Ainda tô esperando o abraço de conforto por tudo o que aconteceu.

sábado, 29 de março de 2014

Ainda cumpro o mesmo ritual, toda vez que volto à casa da família: fumar um cigarro, de madrugada, na janela do quarto, hoje vazio. Respiro a noite e Caxias, enquanto observo a rua vazia. Tão vazia que fica pequena, e olho toda ela e é como se fosse minha. Gosto desse cigarro e dessa última olhada ao redor, como se eu detivesse o poder de encerrar as atividades pelo dia. Por isso durmo depois de todos.

O quarto vazio me traz preocupações. Terão meus pais preenchido os espaços que deixei? Espero que sim, e parece que sim. No entanto no quarto só permanecem as poucas coisas minhas que não quis levar.

Num novo último cigarro, me procuro novamente na janela. Nada está mais aqui. E pensar no meu quarto em São Cristóvão me deixa com o coração espalhado pela cidade. Uns pedaços aqui, outros lá, e os muitos que distribuí e já não encontro mais. Devem ter ficado em alguma calçada entre o trabalho e a cerveja desses homens indiferentes e imunes.

E eu, quando é que fico imune? Ou ao menos, quando é que reúno novamente todos esses pedaços, perdidos, distribuídos ou deliberadamente espalhados, de mim mesma? Inventario os que ainda me restam: não são muitos. Velho Buk disse que só se deve apostar quando se pode perder. Penso se conseguirei caminhar feito pessoa pela vida se perder mais alguns deles. Sem dúvida, é um risco irresponsável de se correr.

E então, como um cão danado, ponho mais fichas na última rodada de um jogo de tarot sem ases ou copas, enquanto o dealer observa desacreditado.

Deus ilumine o que faço desse coração.

Café da manhã: água, três cigarros, dois biscoitos e 50mg de sertralina e 150 de bupropiona. Rock'n'roll e a clareza de que tudo vai bem. Essa vida on drugs é um paraíso, artificial, de fato!

terça-feira, 18 de março de 2014

Agora, de perto, vejo
Quanto de gato
Há no leão.

Silencioso
Tem uma noite no fundo da voz
Que nunca se revelará
Totalmente.

Me confessa, então:
Você nunca foi um leão.
Mas seu gato é esperto
E representa bem a realeza,
Quando necessário
Ou conveniente.

Como se tratam os gatos
Observo você e suas vontades.
Que criaturas mais haverá
Debaixo desse cabelo
e por traz do sorriso ambíguo?

Seus olhos são puxados demais,
Castanhos demais,
Pra me darem pistas.

Mas só um herege
Não agradeceria.
Obrigado, Deus,
Pelos seres inomináveis!

sábado, 15 de março de 2014

quarta-feira, 12 de março de 2014

Meu coração, levas aos pouquinhos.
Logo menos o buraco
Vai ser tão grande
Que vou ter que te botar
Pra ocupar esse lugar.
E aí, que cilada,
Nunca mais você sai!

Tome juízo do que faz, ou na próxima esquina já não vai ter pra onde correr.

terça-feira, 11 de março de 2014

Te dei os remendos
E esparadrapos
Que usava no peito.

E agora?

Vai ou não vai consertar aos beijos esses buracos?

A vida chamará
E se não chamar
Eu mesma faço:

Veja lá! O preço não é alto mas será cobrado!

Eu não custo caro
E só não me dou de graça
Porque aprendi a tapas
Que cada um tem seu valor.

Então pague em dia com carinho devido e aprenda cedo que
Nada é de graça na contabilidade do amor.

Eu te recusei ontem
Te recusei na última segunda
Será que não percebe
Que não tenho mais pedaços
De coração pra você levar?
sempre a prestação
Beliscando...
Você não virá pra ficar
E se fica nesse vai e vem
como posso deixar
Que me leve parcelada
Pra perder nas esquinas?
Vou ficando vazia...

Não precisa me encher de você
Mas se vai me tomar de mim
Fique ao meu lado, ao menos.

Um viva! Os garis festejam.
Festeje também o meu coração.
A greve derrubou os cães fardados,
Que derrube muros o meu amor.

domingo, 9 de março de 2014

Vizinhança rabugenta não me inspira poemas.

Que drama.

Eu sabia, devia ter ganhado menos no poker.

Tomo uma decisão e 50 mg de sertralina + 150 mg de bupropiona e quero ver o que não vai dar certo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Os garis varrem a Quinta de cabeça baixa
A greve terminou com os cães
Fardados a rosnar
A chuva não lavou os confetes,
Estes os garis varrerão.
A chuva nem sequer lavou as cinzas de quarta
Enquanto cães do carnaval,
Dormem agora de ressaca
Por mais um ano.
e a gente mais uma vez se atira
Ao grande cão do capital.
Dentes brancos da cidade rosnam na nuca
De cada coração cansado que anda no metrô
E que pede: que o sol não volte.
Durma ele também e deixe chover.
Falta chover muito, muito mais.