sábado, 28 de junho de 2014

Às vezes eu penso:

"Está tudo bem, eu só vou descansar e me proteger um pouco e aí tudo vai ficar bem".

E me pergunto se isso não é apenas eu sendo auto indulgente até que tudo dê errado.

Ou talvez seja só eu enrolando o máximo que posso pra fugir de responsabilidades e correndo atrás bem em cima da hora. Nem cura definitiva, nem tragédia inevitável. Só meu jeito próprio de andar sempre cambaleando.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Né por nada não, mas dormir com um felino pode ser mais gostoso que dormir com gente.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A paixão dos suicidas

Contaram-me que o filho da vizinha tomou chumbinho na última sexta feira. Deixou uma carta dizendo que havia decidido não viver mais depois da morte de sua mãe. Tinha 19 anos e tomou uma mistura de veneno com coca-cola, o que fez com que se contorcesse em hemorragia, dor e desesperança por 5h, segundo os médicos, antes de ser encontrado pelo seu tio no chão da sala coberto de sangue, vômito e fezes.

Disseram que era muito amável. Os suicidas são sempre lembrados como amáveis. O estudante de cinema que se jogou do sétimo andar era também muito amável, dizem. Se atirou pra fora dessa vida da janela do seu quarto, enquanto sua mãe assistia televisão na sala. Não deixou qualquer bilhete.

Eu também seria lembrada como amável. Os amáveis se matam mais, será?

Eu deixaria um bilhete, declarando meu amor por familiares e amigos. Somente isso. E cortaria meus pulsos no box do banheiro. De alguma forma acho que meu banheiro, embora não tenha uma banheira pra submergir, é o local mais adequado. A limpeza do sangue seria mais simples.

Se eu não tivesse mais mãe, como o filho da vizinha morta, já tinha resolvido isso. Se eu não tivesse mais pai, nem irmão.

Mas eu tenho, e são o peso de uma âncora. E são âncoras e nada mais que, no final de tudo, tornam minha vida viável.

A paixão dos suicidas ainda não me tomou. Se ela chegar, será o triunfo de um argumento que não me deixou nunca, desde a infância.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Uma cadela chamada Paixão II

"Droga.

Hoje eu tenho um encontro.

Droga."

Horas antes, eu nunca tenho vontade de ir aos encontros que marco. Devo estar ficando cada dia mais sem saco. Mas às 15h30 ela estaria lá me esperando, e eu tenho um mínimo de respeito. E fui, e ela parecia a imagem encarnada de Oxum, charmosa e rica, com enormes olhos e cílios. Eu fiquei pensando se ia conseguir trepar com ela. Gata demais pra mim.

No bar, não me acompanhou na cerveja. Usava mais maquiagem que eu e seu cabelo trançado parecia o de uma princesa africana. o meu estava recém lavado. Não me senti mulher, nem quis, nem fez falta. Eu parecia um babaca pensando na hora de tirar as roupas dela.

Ela é de Guadalupe, anda de patins e longboard. É linda, linda. Parece bem mais nova que eu. Estudantes, sempre me sinto velha perto deles.

E eu ainda não aprendi quando posso ou não beijar mulheres em público. Que merda de mundo escroto, pensei. Que merda deve ser passar a vida com vontade de beijar em público e não poder. Isso deixa poucas opções, então minha casa.

Muito gostosa. Preciso aprender esses lances de transar mulheres. Fui no feeling e parece que funcionou. Achei bom e estranho. Fiquei pensando num pênis, depois nos pênis para os quais não liguei muito nas últimas trepadas. Um pênis ali ia melhorar a situação? Senti falta de barba, de abraço protetor. Não senti qualquer conforto a mais do que achei que sentiria com homens. Nenhuma paixão a mais. A questão, vejam, não é pênis ou vagina, é claro que não. A questão é ter um coração cansado e sem muita esperança.

Tenho ofertado a meu próprio coração uma série de opções, que ele recusa como uma criança triste. O que fazer, Deus, com essa criança que não consigo animar com convites pras melhores brincadeiras e com os doces mais gostosos? Até brinquedos ofereci, meio transtornada por falta de resposta. A gente fica triste também, de saber que essa criança deve estar mesmo mais magoada do que deveria pra sua tão pouca idade.

Ainda espero aquele abraço de conforto? Não sei mais. Já não estou tão machucada. O que estou, então? Estou outra. Depois de se machucar e sarar como deu, acho que tenho uma perna torta, como quando se quebra e o osso cola errado. Será que vou precisar quebrar de novo pra por no lugar certo? Talvez não precise, talvez eu não ligue de ter um coração manco. Ou cínico.

O que eu procuro não existe.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Das diferenças de transar mulheres

A mais difícil foi abrir mão de me ver como menina a ser protegida por uma figura masculina. Eu curtia essa vibe. Mas putz, uma mulher me chamando pra debaixo das cobertas num dia frio é algo assim, irresistível demais. Troco proteção por uma barriguinha quente pra morder.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Uma cadela chamada Paixão I

"Certa manhã acordei de sonhos intranquilos".

Certa manhã acordei de sonhos intranquilos. Sim, e isso pode ser um bom começo. Não que de fato tivesse tido algum sonho naquele cotoco de noite dormida, acho que não sonhei com qualquer coisa. Talvez tenha acordado pra sonhos intranquilos.

Acordei com a voz da Carol me chamando, depois de três horas dormidas. Precisava ir ao banco com ela. A sensação de acordar se arrastando pra fora da merda, ao mesmo tempo que se arrasta pra dentro do inferno é um dos jeitos mais comuns que tenho de acordar. E me arrastei, e na volta caiu uma chuva pesada. Porra, Às dez da manhã, frio, de chinelos e short, na chuva, sem guarda-chuva. É a vida me dando bom dia, pensei. Que bom dia do caralho.

Na noite anterior havia tomado três canecas enormes de café por volta de meia noite, achando que uma merda dessa pudesse me ajudar a estudar. Não, eu não estava inclinada a estudar. No meio do processo de enrolar, me baixou uma porra duma inquietação e voltei a importunar aquela ex amiga. Mandei uma mensagem, a confrontando pela última vez sobre os motivos de ter se afastado. Naturalmente me arrependi no minuto seguinte, tentando entender que ganho poderia ter com aquilo.

Ex amiga. A última vez que usei esse termo eu devia estar na terceira série do "primário". Uma parte da raiva que sinto com essa história é ter sido levada a uma situação ridícula que só cairia bem pra duas crianças imbecis.

Anyways, a confrontei, pela última vez. A história é a seguinte: eu tinha uma história com um cara. Antes de apresentá-los, por algum motivo, tinha a clareza em mente de que ia dar merda. Eles se viram duas vezes. Na primeira, na minha casa, percebi algo estranho no ar e num momento que deixei os dois sozinhos, ela já estava com o vestido levantado, rindo, enquanto ele olhava com uma cara de fome. Ela toma insulina. e por algum motivo inexplicável, achou que seria uma boa coisa levantar o vestido e fazer a aplicação na barriga, sentada do lado dele. no momento em que deixei o lugar. Eu obviamente percebi aquela piranhagem sutil e, sinceramente, eu não ligo pra piranhagens. Todos fazemos das nossas. Contei com o respeito de ambos praquilo não ficar feio e não disse nada.

Na segunda vez, estávamos numa festa. Ela chegou depois e ele disse que tinha assuntos pra falar com ela. Demonstrei o quanto aquilo era inadequado numa expressão de "não estou entendendo" e quando ela chegou, começaram a trocar olhares. Depois dividiram uma cachaça. Depois ela mexia no seu bolso e olhava nos seus olhos. E então eu já sabia que tudo estava fodido.

Esperei. Não demorou pra dias depois ela me mandar uma conversa com ele em que ele dava em cima dela, ela dizia que não entendia e assim ficou. Segundo ela, foi um gesto de lealdade. Mas essa não cola. Segundo eu mesma, foi um gesto de pessoa intriguenta, que cutucou onde viu chance até sair algo. Ela é daquele tipo que precisa reafirmar que tem poderes de sedução. E é bonita, mas deve ter alguma zica porque enquanto durou a amizade só a vi ter contato com um pau, que broxou. Eu, que não sou tão bonita, estava por aí nos meus rolos, e esse era o mais frequente.

E daí o resultado foi esse. Acabou o rolo e a amizade, depois que chamei ela num canto e da maneira mais sutil que consegui, que não foi exatamente sutil, disse a ela o que eu já tinha sacado, menos pra gerar discórdia e mais pra que ela ficasse ligada que não dá pra ficar de sacanagenzinha. Ela ficou mortalmente ofendida, ou pelo menos desconcertada e com a cara no chão, daí sumiu. Num momento em que tinha pelo menos umas trinta e sete merdas diferentes acontecendo na minha vida. E aquela porra fudeu comigo.

Fudeu comigo, tive um mês de merda, e passou, como tudo. Mas ontem à noite me deu essa vontade de implicância, ou vontade de jogar de novo no ventilador, sei lá. De qualquer forma, fui dormir horas depois, ainda com a cara cheia de café, sabendo que aquilo foi uma ideia de merda.

E toda vez que me excedo, minha dignidade acorda de ressaca no outro dia.

Ressaca de dignidade. Isso provavelmente define muita coisa do que sofri no último ano. E, acabo de perceber, fez já um ano. Podemos dar vários nomes pra esse sentimento que parece uma gosma pegajosa, mas sem dúvida, a dignidade de ressaca é uma boa imagem.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ando pensando no molequinho que pegarei no colo pra acarinhar. Um moleque magrinho, que vai enrolar as pernas na minha cintura pra não sair do colo. Não vai ser pesado nem leve, e do tamanhozinho de encher meu abraço.

Molequinho meu, to preparando a mente e o coração desde já, porque no meu colo já tem a vontade de proteger você e os irmãos que vai ter.

Ontem me deu medo sonhar com você, mas me lembrei de quantos sonhos concretizei nesses tempos e o quão inatingíveis eles já pareceram. Por isso, te convido a visitar mais vezes a minha imaginação. Tô vendo que você estará logo mais na frente, na minha vida.

:)

domingo, 1 de junho de 2014

Lições da bicicleta

- meu corpo é capaz de mais do que imagino

- imprimi-lo a certas coisas produz muito prazer

- tenho mais experiência do que imagino

- meu corpo se molda e aprende rápido

- meus erros são, principalmente, por medo de errar

- na maior parte das vezes, dá pé. é só não hesitar

- o mundo é perigoso, mas bem menos do que de fato imagino

- aprenda com os mais experientes, pois tem sim gente aberta a ensinar

- a distância entre eu e quem tem experiência é apenas isso, experiência. não há qualquer coisa em mim que me impeça de atingir coisas parecidas

- o Rio é outro de cima de duas rodas

- bananas são indispensáveis no cardápio

- tenho um bom amigo, que cuida de mim com atenção

Bliss

"The thought of you now makes me a little unbearably happy"

Minha América, enquanto te avisto do mar
Que seja eu uma das três naus bem sucedidas

<3

Já estou leve e docemente apaixonada, pequeno e estranho Novo Mundo :)

Minhas mãos coçam pra segurar as suas e te levar por aí pra fazer coisas bobas e belas

Não vejo a hora de conhecer que delícias há nos seus mistérios, com olhos arregalados de espanto por você me revela-los

Flor
:)