"Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was someone else
someone good
Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on"
"Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was someone else
someone good
Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on"
Se você fosse um bicho, seria um lobo. É engraçado como parece que você anda sempre numa meia luz noturna, mesmo sob o sol.
Eu gosto do algo obssessivo com que você deseja seus desejos e da ternura com que me trata. É um tanto chocante no início lidar com alguém que mantém o domínio de paixões tão violentas e nunca as esconde.
E além de tudo é um bom amigo. Agradeço por ter você comigo.
Eu não duvido, já escuto os teus sinais.
Aqui e ali, numa sombra ou num canto. Às vezes vem no vento o ruído de uma onda distante, que eu sinto ainda pequena, mas que vai me encher. Quando olho, já se escondeu. Mas tudo vem sussurrando que eu me aquiete, me projetando pra onde devo estar. E eu estou cada dia mais perto de mim.
E eu agradeço baixinho que tu não vai ficar antes que eu possa me tornar o que sou, forte, feliz, serena e rebelde.
Será que você também percebe que caminha pra algo, com os olhos fechados, pois seus pés é que sabem por você onde vão?
Eu não duvido.
Acho que meu pai era um Doc de Campos Elíseos. Fundou um bloco e organizava excursões pra Saquarema. Disse que convidava as namoradas dos outros caras pros bailes de carnaval e pras viagens de graça. Eu disse "devia ter bastante gente que não gostava de você por aqui". Ele concordou.
Minha mãe viajou de cortesia em duas excursões. Sobraram vagas que foram distribuídas e eu pensei que provavelmente entre as garotas bonitas do lugar.
Meu padrinho, quando começou a namorar minha tia materna e madrinha, quase "tomou um pau" da turma que andava com meu pai. Ele disse que ninguém gostou de um preto estiloso de black, vindo do Rio, namorando uma das meninas da vizinhança. "Por ser preto?", eu pergunto. "Não, preto era o que mais tinha aqui. Era por causa do estilo mesmo". Eu ri e concordei, já vi uma foto dele jovem, de calça boca de sino.
Meu pai usava sandálias de pneu e ouvia Pink Floyd. Gostava de acampar na praia. Minha mãe levou anos pra namorá-lo, porque era "muito safado" e ela não queria problemas. Segundo meu padrinho, foi ele quem intercedeu com a turma pra deixarem de lado essa história de "dar um pau" no preto estiloso. Depois o forasteiro fez amizade jogando bem como atacante no time da turma. Virou um local, literalmente, casando com minha tia e indo morar no bairro.
Fiquei pensando por horas nesse hippie e nesse black, e no que devia ser ter cabelos rebeldes na periferia de Caxias e fui dormir pensando no bom trabalho que os dois fizeram em criar pras crianças da família um ambiente de tanto carinho.
Se drogar um pouco e passear por um lugar lindo com uma música mágica, voltar pra casa com alguém que cuida de você. Comer doce, brincar com a gata Se enroscar debaixo do cobertor mais gostoso desse mundo com alguém realmente muito bom em se enroscar. E depois de tocar Lou Reed, ainda fazer o sexo mais gostoso dessa vida. E quando ver, já dormimos.
Eu tinha medo de como seria lsa com outra pessoa. E, guess what, foi ainda melhor, e leve, e tranquilo.
O que ficou foi paz.